O nascer do amor é fogarel. É sorriso para o nada, é o barato que não passa, é o risinho velado ao ler ou ouvir uma frase trivial do outro, o “ahn?” como resposta; é devaneio, é suspiro, é jazz, é maremoto, transborda-se até o desperdício e mesmo assim não se escassa. É amor impaciente e entranhado, é chama trepidando 24 horas por dia, overdose. O germinar te torna insumo, não te deixa esquecer que aquilo está brotando, é o outro na mente a todo segundo - e não para.
Ao se estabelecer, o amor amadurece. Amor maduro é pausa para respirar, é o descansar com a cabeça no peito do outro e se debulhar em carícias com a ponta dos dedos. Era fogarel, vira brasa, e passa a queimar antracitalmente. Era intensidade, vira plenitude. Não é extenuante, 24 horas, é medium dose, mas é grandioso. É paciente, tem uma vida inteira para Ser.
É devagar, é bossa, é o amor exteriorizado, é amor que deixa de Ser sozinho, vai Ser no outro, com o outro; é amor que vira bilhete, o almoçar junto, é amor na provocação seguida de riso, é amor escovando os dentes e rindo com a boca cheia de espuma, é amor no outro, é amor prosaico. É calmo, sabe a hora de te inundar; não cabe em si, mas aproveita seus excessos terminando de caber no outro.
Que todos possam ter a sorte de conhecer algumas de suas fases antes de morrer. Pelo menos uma delas. É incrível.
Que as fases não acabem, se renovem ou que seja sempre as mesmas. Que se torne um ciclo vicioso.
Fases O nascer do amor é fogarel. É sorriso para o nada, é o barato que não passa, é o risinho velado ao ler ou ouvir...
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